Huambo da Resistência ao Desenvolvimento

No dia 21 de Setembro de 1912, na região do planalto central de Angola, era fundada a cidade de Nova Lisboa, hoje designada Huambo, pelo então governador geral da província ultramarina de Angola, José Mendes Ribeiro Norton de Matos, através da portaria Nº 1040. O nome Huambo tem na sua origem um caçador identificado por “Huambo-Kalunga”, oriundo da região do Kwanza Sul, que se instalou em Muangunja, povoado municipal da Caála.

Algumas fontes sustentam que não foi esse forasteiro que ofereceu resistência à ocupação colonial nos fortes combates travados nas pedras de Ganda, Kawe e da Kissala, que culminaram com a tomada do planalto central de Angola.

Bibliografias referem que foi Livongue, um guerreiro destemido que infligiu vários golpes às forças coloniais portuguesas, sobretudo às de avanço da terceira coluna do Sul, comandada por Teixeira Motinho que, em 1902, e depois de ter vencido Livongue, começou a ocupar o Planalto Central de Angola, dando início a colonização desta parcela do território angolano.

Consumada a ocupação da região e fundada a cidade do Huambo, o poder colonial tinha a intenção de fazer desta importante urbe a capital de Angola, um projecto que não vincou pelo facto de a circunscrição não possuir saída directa para o mar.

Neste percurso de existência, a cidade do Huambo conheceu vários períodos de transformação, quer em termos de retrocessos como de avanços no seu desenvolvimento multifacético, salientando-se o recém terminado conflito armado que destruiu quase 95 porcento da sua então portentosa infra-estrutura económica, social e produtiva.

Hoje, com pouco mais de um milhão e 235 mil habitantes, a cidade do Huambo e arredores, embora a passos lentos, todavia seguros, fruto da paz reinante no país, trilha pelo caminho do desenvolvimento, conquista que está a ser alcançada mercê dos esforços da sua população, decididamente apoiada pelo Governo central, o executivo provincial, a classe empresarial e outros agentes que querem ver renascer a urbe das cinzas deixadas pela guerra.

Apesar das inúmeras dificuldades e das marcas da guerra, o Huambo, por mérito próprio, continua a ostentar a honrosa classificação de segunda maior cidade de Angola, depois de Luanda, com os seus habitantes a manterem a esperança de que, num futuro não longínquo, a urbe possa recuperar o lugar de segundo parque industrial do país, lugar que sempre lhe esteve reservado no contexto do desenvolvimento e da promoção socio-económica das populações de Angola.

Para citar alguns exemplos, referimos que de Janeiro a Agosto deste ano a cidade ganhou vários empreendimentos socio-económicos, entre os quais se destacam um pavilhão ginmo-desportivo multiuso, com capacidade para duas mil e 500 pessoas, e viu recuperadas e modernizadas importantes infra-estruturas hoteleiras como o “Hotel Roma”, com 64 quartos. Assiste-se actualmente a reabilitação das suas ruas e avenidas e a significativa melhoria dos serviços de iluminação pública.

A cidade ganhou um supermercado de grande dimensão da rede “Nosso Super”, localizado na ex-zona industrial de São Pedro, e foram reabilitados o Palácio do governador da província, o edifício das direcções executivas provinciais e a aerogare do aeroporto “Albano Machado”. Viu requalificado o largo “Doutor António Agostinho Neto” – ex 11 de Novembro – um dos principais motivos de atracção dos citadinos.

O governo provincial, através do seu programa “Huambo Cimento e Tinta”, desenvolvido há mais de dois anos, leva a cabo trabalhos de melhoria da imagem das residências e edifícios localizados ao longo das principais avenidas e ruas da cidade, de forma a, paulatinamente, ir eliminando os sinais deixados pela guerra e mudar a imagem da urbe.

Na cidade do Huambo funcionam agências dos bancos Nacional de Angola (BNA), Poupança e Crédito (BPC), Internacional de Crédito (BIC), Fomento de Angola (BFA), Africano de Investimento (BAI), Sol e Keve, todas envolvidas directamente nas acções de impulso ao desenvolvimento da província, através da concessão de créditos que desempenham um importante papel na recuperação do tecido económico, produtivo e social da região.

Está em curso, desde finais de 2006, a reabilitação do hospital central do Huambo, dotando-se de uma capacidade para 800 camas, num esforço do Governo avaliado em mais de 36 milhões e 520 mil USD. Após a conclusão destas obras, a unidade hospitalar será de referência e estará equipada com meios técnicos suficientes para atender a necessidades de toda a província e da região vizinha do Bié.

Nos arredores da cidade estão igualmente em curso várias obras de referência. Destaque para a construção de um hospital municipal e um centro de saúde moderno.

Em fase de conclusão encontra-se a empreitada de reabilitação do sistema de captação e tratamento de água potável, a partir do rio Culimahama, numa acção que vai custar aos cofres do Estado mais de 19 milhões de dólares norte-americanos. Esta empreitada, que teve início em meados de 2006, deve terminar em Outubro próximo.

Incluiu a substituição de 110 quilómetros de conduta de água para distribuição de água, construção de 45 chafarizes nos bairros periféricos, além da reabilitação da própria central de captação e tratamento, onde estão a ser instalados novos equipamentos. Isso permitirá que a cidade atinja uma produção de mil e 360 metros cúbicos de água/hora, contra os actuais 680, correspondentes a apenas 23,4 porcento das capacidades reais.

Apesar de o abastecimento de corrente eléctrica à cidade, a partir da central do Benfica, ser considerada ainda “deficiente”, reconhece-se que a situação da produção de electricidade poderá ficar completamente resolvida dentro de pouco mais de três anos, com a reabilitação e modernização da barragem Hídrica de Ngove (Caála), actualmente redimensionada para servir as províncias do Huambo, Bié e parte de Benguela.

As insuficiências de electricidade e de água canalizada até aqui vividas são normalmente apontadas como os principais empecilhos à concretização de ambiciosos programas de recuperação de algumas industrias do ramo pesado, sobretudo localizadas nas zonas industriais da Cuca e de São Pedro, nos arredores da cidade.

Para a satisfação da população da cidade e da província no geral, estão em funcionamento as fábricas de refrigerantes “Sefa”, de montagem de motorizadas e bicicletas “Ulisses”, de produção de colchões de esponjas, algumas indústrias de serralharia, carpintaria, panificação, oficinas auto, isto sem falar de uma rede comercial em pleno reflorescimento e desenvolvimento.

Em termos académicos, a população da cidade do Huambo continua a aguardar pela reabertura do núcleo da Faculdade de Medicina. No entanto, já beneficia dos serviços das instituições de ensino superior de Direito, Economia, Ciências da Educação e Ciências Agrárias. A cidade conta ainda com um Instituto Médio Agrário construído de raiz na localidade do Ndango, a cerca de nove quilómetros do centro urbano.

Estão em curso a criação de condições técnicas-materiais e humanas para a instalação da Universidade Pública do Planalto, que vai servir também a vizinha província do Bié, num esforço tendente a tornar esta cidade num dos principais centros académicos do país, categoria que, sem receios, já teve até 1992, altura da eclosão da guerra pós-eleitoral.

Com estas e outras tantas conquistas alcançadas e em perspectiva, o sentimento de cepticismo de alguns citadinos vai se reduzindo e aumenta a cada dia que passa a confiança num futuro promissor e na recuperação infalível do “Huambo Cidade Vida”.

Por: Custodia Sinela

 

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